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Legislação 10 ago 2026 8 min de leitura

Tabela de Frete ANTT 2025: Como Consultar e Calcular o Piso Mínimo

Se você é caminhoneiro autônomo, agregado ou transportador, já deve ter ouvido falar na “tabela de frete da ANTT”. Mas você sabe exatamente como ela funciona, como consultar os valores e — mais importante — por que o piso mínimo quase nunca cobre o seu custo real?

Neste artigo, vou explicar de forma prática o que é a tabela ANTT, como calcular o frete mínimo para qualquer rota e o que você precisa saber para não rodar no prejuízo mesmo cobrando “dentro da tabela”.

O que é a Tabela de Frete da ANTT e para que serve

A tabela de frete da ANTT é o instrumento que define o piso mínimo que deve ser pago ao transportador rodoviário de cargas no Brasil. Ela foi criada pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC), estabelecida pela Lei nº 13.703/2018 e regulamentada pela Resolução ANTT nº 5.867/2020.

Na prática, a tabela funciona assim: nenhum embarcador, transportador ou plataforma de frete pode contratar um frete por valor inferior ao piso calculado pela ANTT. Quem descumprir está sujeito a multas que podem chegar a R$ 1 milhão em caso de reincidência, além de suspensão do RNTRC.

O que é o PNPM-TRC?

É a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Ela garante que o frete pago ao caminhoneiro cubra, pelo menos, os custos mínimos de operação estimados pela ANTT. O objetivo é evitar a exploração do transportador com fretes muito abaixo do custo.

Tabela atualizada: valores por km/eixo e tipo de carga

A ANTT não publica uma tabela única com preços fixos por km. Em vez disso, ela define coeficientes de custo que variam conforme três fatores principais:

  • Tipo de carga: carga geral, granel sólido, granel líquido, frigorificada, conteinerizada, perigosa, entre outras — cada tipo tem um coeficiente diferente.
  • Número de eixos: quanto mais eixos, maior o coeficiente de custo por km rodado.
  • Categoria da operação: a ANTT divide em 4 tabelas (A, B, C, D) — veremos cada uma a seguir.

As quatro categorias de tabela são:

TabelaDescrição
ACarga lotação — contratação de composição veicular ou caminhão simples
BCarga lotação — contratação apenas da unidade de tração (cavalo mecânico)
CAlto desempenho — contratação de composição veicular
DAlto desempenho — contratação apenas da unidade de tração
O que é Alto Desempenho?

“Alto desempenho” não é autodeclaratório. Essa categoria exige contrato específico com o embarcador, tempo de carga e descarga de até 3 horas e responsabilidade do contratante pelas operações de carga/descarga. Se não atende esses requisitos, use as tabelas A ou B.

Como consultar o piso mínimo do frete

A forma mais confiável de consultar o piso mínimo é pela calculadora oficial da ANTT, disponível em calculadorafrete.antt.gov.br. Lá você informa a origem, destino, tipo de carga e número de eixos, e o sistema calcula o valor mínimo automaticamente.

Mas se quiser entender a fórmula para conferir manualmente, o cálculo é simples:

Fórmula do Piso Mínimo

Piso (R$) = (Distância em km × CCD) + CC

CCD = Coeficiente de Custo de Deslocamento (R$/km) — varia por tipo de carga e eixos

CC = Coeficiente de Carga e Descarga (R$) — valor fixo para remunerar tempo de carga/descarga

Passo a passo para calcular o frete mínimo (exemplo)

Vamos a um exemplo prático para ficar claro. Imagine que você vai fazer um frete de São Paulo (SP) a Uberlândia (MG) — distância de aproximadamente 600 km, transportando carga geral com um caminhão de 6 eixos (carreta comum).

Exemplo: SP → Uberlândia (600 km, 6 eixos, carga geral, Tabela A)

1. Consulte o CCD e o CC na tabela vigente da ANTT para carga geral, 6 eixos

2. Suponha que o CCD seja R$ 3,85/km e o CC seja R$ 380,00 (valores ilustrativos — consulte sempre a tabela atualizada)

3. Aplique a fórmula:

Piso = (600 × R$ 3,85) + R$ 380 = R$ 2.310 + R$ 380 = R$ 2.690,00

4. Este é o valor mínimo legal que o embarcador deve pagar pelo frete

5. O pedágio é pago à parte (não está incluído nesse valor)

Dica importante

Os coeficientes CCD e CC são atualizados periodicamente pela ANTT. Sempre consulte a calculadora oficial para obter os valores vigentes antes de fechar qualquer frete.

Atenção: o piso mínimo NÃO cobre seu custo real

Aqui está o ponto que muitos motoristas não percebem: o piso mínimo da ANTT é o valor mínimo legal, não é o valor justo para a sua operação. A tabela da ANTT usa coeficientes médios que estimam custos gerais do setor — mas o seu caminhão, a sua rota e os seus custos fixos são únicos.

Na prática, é muito comum que o piso mínimo fique abaixo do seu custo real de operação. Isso significa que, mesmo cobrando “dentro da tabela”, você pode estar rodando no prejuízo.

Cuidado com a falsa segurança

Cobrar o piso mínimo da ANTT não significa que você está lucrando. O piso é o “chão” — abaixo dele é ilegal. Mas em muitos casos, o chão não é suficiente para cobrir seus custos reais de diesel, manutenção, seguro, IPVA e depreciação.

O que a tabela ANTT não inclui (pedágio, seguro, manutenção)

A fórmula da ANTT usa coeficientes que tentam representar custos médios do setor, mas vários itens ficam de fora ou são subestimados:

  • Pedágio: não faz parte do piso e deve ser pago separadamente pelo embarcador (Lei nº 10.209/2001). Na prática, nem sempre isso acontece.
  • Seguro da carga (RCTR-C): o custo do seguro varia por rota e tipo de mercadoria e não é contemplado individualmente nos coeficientes.
  • Manutenção real do veículo: os coeficientes usam médias do setor, mas caminhões mais antigos ou que rodam em estradas ruins gastam muito mais.
  • IPVA, licenciamento e parcelas: esses custos fixos existem independentemente de você rodar ou não — e o piso não os considera de forma personalizada.
  • Retorno vazio: se você roda vazio na volta, seu custo por km efetivo dobra — e o piso não compensa isso.
Exemplo real

Frete SP → Uberlândia (600 km, 6 eixos):

Piso mínimo ANTT: ~R$ 2.690 (exemplo da seção anterior)

Custo real com diesel, pedágio, seguro, pneu e fixos: ~R$ 3.200

Prejuízo de R$ 510 mesmo cobrando “dentro da tabela”.

Como saber se o frete cobre todos os seus custos

A única forma de saber se um frete é lucrativo é comparar o valor oferecido com o seu custo real por km rodado. E para isso, você precisa calcular esse custo considerando todos os gastos — não apenas diesel e pedágio.

O cálculo envolve somar custos variáveis (diesel, pneu, manutenção) e custos fixos (IPVA, seguro, depreciação, parcelas) e dividir pela quilometragem mensal. Parece complicado, mas com a ferramenta certa leva menos de 5 minutos.

Depois de calcular seu custo por km, a conta é simples:

LUCROValor do frete por km > seu custo por km → vale a pena
EMPATEValor do frete por km = seu custo por km → não compensa o risco
PREJUÍZOValor do frete por km < seu custo por km → recuse o frete

Se você quer aprender a calcular seu custo real por km do zero, leia nosso guia completo sobre custo de frete por km rodado.

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Gatilho do diesel: como o preço do combustível afeta o piso

A legislação prevê que a tabela da ANTT seja atualizada em duas situações:

  • Reajuste semestral: a cada 6 meses, os coeficientes são atualizados com base no IPCA acumulado do período.
  • Gatilho do diesel: sempre que o preço do óleo diesel S10 variar mais de 5% em relação ao valor de referência usado na última atualização, a ANTT é obrigada a reajustar os coeficientes automaticamente.

Na última atualização (Resolução ANTT nº 6.084/2026, de julho de 2026), o preço de referência do diesel S10 foi ajustado para R$ 6,97 por litro, com incorporação de 3,54% de IPCA acumulado. Antes disso, em março de 2026, o gatilho já havia sido acionado quando o diesel saltou de R$ 6,08 para R$ 6,89 por litro — uma variação de mais de 13%.

O problema do reajuste

Mesmo com o gatilho, a atualização da tabela sempre vem com atraso. O diesel sobe hoje, mas a tabela só é reajustada semanas ou meses depois. Nesse intervalo, você roda com custo maior e piso desatualizado. Por isso, não dependa apenas da tabela ANTT para saber se o frete compensa.

Conclusão: a tabela é o mínimo, seu controle é o que garante o lucro

A tabela de frete da ANTT é uma proteção importante para o caminhoneiro. Ela impede que embarcadores e plataformas paguem fretes absurdamente baixos. Mas confiar apenas no piso mínimo para decidir se um frete vale a pena é um erro que custa caro.

O piso mínimo não conhece o seu caminhão, a sua rota, os seus custos fixos. Para tomar decisões seguras, você precisa saber o seu custo real por km — e compará-lo com cada frete antes de aceitar. Veja no nosso guia do custo operacional do caminhão como calcular o CPK incluindo todos os custos fixos e variáveis.

E essa conta pode ser feita em poucos minutos, sem planilha complicada, sem fórmula decorada. A Planilha de Controle de Frete faz esse cálculo automaticamente para você.

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